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CHINA
   China - Melhor opção para exportação brasileira

    Na realidade, ambos são culpados - governo e setor empresarial - pelo negligenciamento do mercado chinês, o maior do mundo, com quase 1,3bilhão de consumidores, em acelerado crescimento de poder aquisitivo. Mesmo sem a devida assistência governamental, o que lamentavelmente ocorreu, os exportadores, por conta própria, deviam ter explorado aquele mercado, desde a sua virtual abertura, em 1979, decretada por Deng Xiaoping. Agora, decorridas mais de duas décadas, terá o Brasil de correr atrás de outros países, que ali se instalaram, estabelecendo vínculos comerciais, até mesmo da área latino-americana, como o Chile e o México.
    Com ingresso da China na Organização mundial do Comércio, alargou-se o seu mercado importador, aumentando as possibilidades para os produtos brasileiros, apesar da desvantagem assinalada. Uma programação bem feita - neste primeiro ano da China na OMC e último do governo Fernando Henrique Cardoso - poderá o Brasil recuperar o terreno perdido, fixando bases definitivas para uma forte corrente comercial.
    Tornando-se um dos pilares do desenvolvimento chinês - ao lado da educação e da agricultura - o comércio exterior avançou de forma extraordinária a partir da abertura. Em destaque, as exportações, que, em 1978, limitava-se a US$ 9,7 bilhões, no ano passado, atingiram cerca de US$290 bilhões(fora as de Hong Kong), aumentando 30 vezes no período, recorde mundial absoluto. Enquanto isso, as exportações brasileiras, que eram maiores em 78(US$ 12,6 bilhões), em irrisório crescimento inferior a cinco vezes, somaram apenas US$58,2 bilhões, em 2001.
    Nesse tempo, em que o mercado chinês abriu-se ao exterior, o intercâmbio bilateral com o Brasil teve baixa movimentação, muito aquém do potencial das duas principais nações emergentes: total de US$ 133,2 milhões, em 1978, as exportações /importações limitaram-se a cerca de US$3,3 bilhões, em 2001. Procurando ativar o insatisfatório comércio bilateral, em 1993 o presidente Jiang Zemin esteve em Brasília, onde , por sinal, foi discretamente recebido. Na ocasião, após ressaltar que as duas economias se complementavam, propôs melhor relacionamento "para servir de exemplo de cooperação de países das regiões Sul do mundo".
    Na realidade, apenas a China cumpriu bem a sua parte, entre 1992/2001, as exportações para o Brasil cresceram mais de 12 vezes, passando de US$116 milhões a 1,3 bilhão. No mesmo período, os embarques brasileiros para o mercadochinês, elevaram-se menos cinco vezes, de US$ 460 milhões a cerca de US$ 2 bilhões. Deve-se destacar que, no ano passado, em auspiciosa virada, promovida pelos empresários - finalmente parecem ter despertado para a receptividade do mercado - além do superávit de cerca de 600 milhões, para a China registrou o excepcional índice de 90% de expansão das exportações brasileiras, contra apenas 8% verificando os Estados Unidos, o principal parceiro. No entanto, apesar da notável melhoria verificada, o intercâmbio com o Brasil ainda pouco significa(menos de 0,5%) na balança comercial chinesa que, incluindo a de Hong Kong, já é a terceira do planeta, atrás apenas da americana e da alemã.
    Em 2001, os destaques da exportação para a China foram a soja, o minério de ferro e a celulose, seguindo-se o fumo, couros, madeiras e alguns tipos de petróleo. Significativamente, surgiram na pauta alguns produtos industrializados de alto valor agregado, como automóveis, aviões e peças para veículos, inclusive tratores.
    Na contra-partida, os principais itens da importação foram o carvão, lâmpadas, aparelhos de transmissão, geradores circuitos e brinquedos.
    Seguindo o modelo clássico para assegurar e expandir as exportações, a China está não só estabelecendo representações como também criando indústrias e linhas de montagem. Após a pioneira fábrica de bicicletas em Pernambuco, já estão instaladas no Brasil as empresas Ruey (pequenos tratores), Shang Dong (usinas Termoéletricas), Huawei (telecomunicações), Gree (ap. de ar condicionado) e Guangxi (plantação de sisal). Procurando expandir os investimentos, anos atrás, empresários chineses estiveram no Ministério da Agricultura interessados em adquirir terras no cerrado (ao Sul do Maranhão e Tocantins) para plantação de soja, em vários empreendimentos no valor médio de US$ 100 milhões. Até agora não se sabe porque o Governo não autorizou o interessante projeto, que criaria empregos e aumentaria a exportação.
    Do lado brasileiro, as representações e investimentos na China, úteis ao alavancamento das exportações, são ainda escassas, tendo-se notícias apenas da agência da Cia Valer do Rio Doce, Beijing Embraco Co. (compressores), da churrascaria Sadia, além dos escritórios de advocacia (Noronha e Danilo Santos). Essa ínfima participação, praticamente desaparece no meio das 390 mil empresas estrangeiras existentes em território chinês. Agora, com a entrada da China na OMC, o rebaixamento geral da tarifas de importação vai aumentar mais ainda as possibilidades das exportações brasileiras para daquele imenso mercado. Nessa linha, destacam-se dois novos produtos - café solúvel e suco de laranja - ambos com incalculáveis condições não só de produção, do lado brasileiro, como de consumo, do lado chinês. Se a metade da população chinesa tomasse um xícara de café e um copo de suco de laranja por dia, melhorariam consideravelmente não só as exportações como a própria economia brasileira. Dadas as peculiaridades do mercado (número de consumidores, extensão territorial, etc.), a exemplo das multinacionais americanas e européias, seria aconselhável a união das principais empresas brasileiras produtoras (Cutrale e Fischer, no suco, e Brasilia e Cacique, no solúvel), inclusive para enfrentar a acirrada concorrência internacional, particularmente da Nestlé e Coca-Cola. Convém anotar a vantagem suplementar de "marketing": o povo chinês, simples e afável, é bem receptivo ao Brasil e seus produtos.
    Paralelamente, no âmbito internacional, torna-se da maior importância e de mútuo interesse, que as duas principais nações emergentes tenham sólido relacionamento comercial para, que as duas principais nações emergentes tenham sólidos relacionamento comercial para, unidas, enfrentarem as arbitrariedades e o crescente protecionismo dos países industrializados . A propósito , o Ministério do Comércio Exterior da China, no final do ano, reforçou a posição brasileira de oposição às abusivas medidas protecionistas dos EUA nas importações de aço, advertindo que são "contrarias ao processo de libertação do comércio sustentado pela OMC ".A China é o maior produtor mundial de aço, com os EUA em segundo e o BRASIL em sétimo lugar.




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